Roberto e seus amigos doidos.
Roberto tinha
uma coleção de amigos doidos para hospício nenhum botar defeito. Era fácil aparecer
naquele grupo, bastava ser normal.
Ele era
criterioso. Maluco genérico não tinha vez. E tinha razão. É fácil ser completamente
destrambelhado. Difícil é ser um especialista. Ter a capacidade de transformar
uma atividade cotidiana, acessível a todos, em algo especial. Valia as pequenas
loucuras, como fazer círculos perfeitos e compactos com a fumaça do cigarro, até as mais ousadas.
Na galeria dos
loucos havia o dos patins, do carrinho de rolimãs, da moto, do barco, do balão, do violão. E por
aí a fora.
Alguns tiveram
lugar especial no pódio. Me lembro do doido da bunda ralada. A princípio o fato
não tem nada de especial. Todos somos capazes de ralar a bunda. A questão é
como aquela bunda foi ralada?
Roberto e
Antônio Edson contavam isso às gargalhas.
Ao terminar os
bailes no clube Luso Brasileiro de Campo Grande, a garotada se exibia. Naquela
ocasião a moda eram os patins e os carrinhos de rolimãs. O exibicionismo ia num
crescendo. Carros passaram a puxar, em alta velocidade, os mais ousados. Entre
eles estava o dono da referida bunda, que, não satisfeito em ser puxado,
resolveu arriar a calça. O fez com perfeição. Se tornou um especialista em
mostrar a bunda enquanto patinava. A bunda branca, ainda sem nenhum arranhão,
provocava aplausos, risinhos nervosos e protestos indignados.
Até que um
dia, numa manobra mal feita, ele se desequilibrou e caiu de bunda sobre o
asfalto áspero.
Ao Ooooooo!!!!!! De surpresa, seguiram-se as vaias e os comentários de “bem feito”.
Tudo perfeitamente suportável, até os curativos dolorosos e constrangedores. O
problema eram as perguntas:
- Sua bunda
vai bem?
- Está melhor
da bundinha?
- E aí? Pronto
pra outra? Tem que ralar.
Confesso que
as vezes tinha dificuldade para identificar o doido da história.
Por exemplo,
Roberto dizia:
- Antônio
Édson é muito doido - isso era um elogio. Pula de patins sobre mais de dez
pessoas deitadas.
Não me lembro qual foi o Record dele, mas, para
mim, os verdadeiros loucos estavam deitados no chão. Falei a respeito disso com ele, que me
tranquilizou:
- Fica calmo,
Gil! O risco é só para o primeiro e o último.
- Como assim?
- É que, se eu perder o tempo exato do salto, tropeço do primeiro e me esborracho no último.
Entendeu?
Entendi. Melhor não discutir com maluco.
Entendi. Melhor não discutir com maluco.
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