sábado, 14 de abril de 2018

Roberto: de "escafandro" na piscina do Motel.


Roberto: de "escafandro" na piscina do Motel.

Roberto era curioso e fez da curiosidade o seu modo de vida. Aprendeu através da prática. A teoria, quando necessária, vinha depois. Especializou-se em motos, mas sua habilidade era reconhecida em diversas áreas. Tornou-se referência para profissionais inseguros com o uso de teorias acadêmicas.
                Esse é o lado profissional, mas a curiosidade do Roberto se estendia ao cotidiano. Onde houvesse um botão, uma luz piscando, lá estava ele. Parecia uma mariposa atraída pela magia do conhecimento. Eu escondia meus aparelhos eletrônicos novos por medo dele os desmontar só por curiosidade, para conhecer o mecanismo. Fez Escola Técnica e alguns cursos, mas desconfio que ia a escola para ensinar e não para aprender. Era um autodidata e gostava de trocar experiências com os amigos.
                Até aí tudo bem, mas, em se tratando do Roberto, havia exageros
                Certa ocasião foi a um motel com Soninha. No dia seguinte me contou a aventura, descrevendo os botões de controle do sistema de som, luz e TV. A cabeceira da cama, segundo ele, era fantástica. O teto da piscina se movia por controle remoto. Era possível acompanhar a variação da temperatura da água, e – o máximo! -, a água   se revolvia em ondas com um simples toque de botão.
Estava fascinado!
 Aí veio a pérola:
                - Gil, num motel como esse você não precisa nem de mulher.
                Percebeu o que falou e deu aquele sorriso sacana.
                Já que estamos num motel, ou melhor, falando de motel, há outra história inusitada.
Reza a lenda que ele usou “escafandro” na piscina de um motel: roupa, tanque de oxigênio e tudo mais. Isso ele me contou. Precisamos dar o devido desconto.
Na ocasião ele vivia a fase das pescarias e mergulhos. Todo fim de semana tinha alguma aventura diferente. O esquema ganhou impulso quando o Antônio Edson comprou uma lancha. Bem! possivelmente Roberto usou a piscina só para lavar a roupa de mergulho e os aparelhos. Mas, também é possível que tenha aproveitado para treinar a respiração, pois estava iniciando o mergulho com cilindros.
De qualquer forma, é, no mínimo estranho imaginar a cena de alguém num motel vestido para mergulho. Sem entrar no mérito do fetiche. Por comparação, acho até simpáticos os botões e luzes.  Parecem normais.  

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