Roberto: de "escafandro" na piscina do Motel.
Roberto era
curioso e fez da curiosidade o seu modo de vida. Aprendeu através da prática. A
teoria, quando necessária, vinha depois. Especializou-se em motos, mas sua
habilidade era reconhecida em diversas áreas. Tornou-se referência para
profissionais inseguros com o uso de teorias acadêmicas.
Esse
é o lado profissional, mas a curiosidade do Roberto se estendia ao cotidiano.
Onde houvesse um botão, uma luz piscando, lá estava ele. Parecia uma mariposa
atraída pela magia do conhecimento. Eu escondia meus aparelhos eletrônicos
novos por medo dele os desmontar só por curiosidade, para conhecer o mecanismo.
Fez Escola Técnica e alguns cursos, mas desconfio que ia a escola para ensinar e
não para aprender. Era um autodidata e gostava de trocar experiências com os
amigos.
Até
aí tudo bem, mas, em se tratando do Roberto, havia exageros
Certa
ocasião foi a um motel com Soninha. No dia seguinte me contou a aventura,
descrevendo os botões de controle do sistema de som, luz e TV. A cabeceira da
cama, segundo ele, era fantástica. O teto da piscina se movia por controle
remoto. Era possível acompanhar a variação da temperatura da água, e – o máximo! -, a água se revolvia em ondas com um simples toque de
botão.
Estava
fascinado!
Aí veio a pérola:
-
Gil, num motel como esse você não precisa nem de mulher.
Percebeu
o que falou e deu aquele sorriso sacana.
Já
que estamos num motel, ou melhor, falando de motel, há outra história
inusitada.
Reza a lenda que
ele usou “escafandro” na piscina de um motel: roupa, tanque de oxigênio e tudo
mais. Isso ele me contou. Precisamos dar o devido desconto.
Na
ocasião ele vivia a fase das pescarias e mergulhos. Todo fim de semana tinha
alguma aventura diferente. O esquema ganhou impulso quando o Antônio Edson
comprou uma lancha. Bem! possivelmente Roberto usou a piscina só para lavar a
roupa de mergulho e os aparelhos. Mas, também é possível que tenha aproveitado
para treinar a respiração, pois estava iniciando o mergulho com cilindros.
De qualquer
forma, é, no mínimo estranho imaginar a cena de alguém num motel vestido para
mergulho. Sem entrar no mérito do fetiche. Por comparação, acho até simpáticos os
botões e luzes. Parecem normais.
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