(14 julho 1996, uma homenagem aos 40 anos do Roberto.)
Aos quarenta…
Aos quarenta,
o balanço das perdas,
a percepção do inconcluso
e os desafios do futuro,
já não levam ao desespero.
Descobrimos que maturidade
é a capacidade de tratar as questões com parcimônia,
de confiar no tempo,
de agir com arrojo, mas sem precipitação,
de saber que apenas uma parte dos problemas será resolvida.
A outra parte será adiada,
transformada ou perderá a importância.
Aos quarenta,
mais seguros e experientes,
continuamos a nos surpreender com nossa fragilidade.
De um tempo distante, chegam lembranças da criança
para qual o mundo adulto era perfeito, resolvido e
competente.
No máximo um pouco chato.
… quarenta anos depois,
Com espaço mais do que garantido no mundo adulto,
e podendo reivindicar o título de novo dono da verdade,
vejo você, Roberto tal como o esperado,
expondo convicções e agindo coerente com elas,
mas também sendo capaz de transparecer dúvidas e dilemas.
Isso nos próxima e lhe amplia a dimensão humana.
Porém, além da firmeza da conduta e da humidade da dúvida,
O que o torna especial é a capacidade de vivenciar tudo isso
sem nos privar do carinho
e do companheirismo.
Há continuidade…
Aquela criança permanece viva,
na exclamação feliz dos seus sobrinhos:
- O tio Roberto é maluco!
Um dia compreenderão
Que as adoráveis maluquices,
representam o seu jeito de nos proporcionar alegrias.
De ensinar, na prática, o que é ser companheiro e agregador.
Roberto,
Quando estimulo o convívio de meus filhos com você,
o faço na certeza de que é das melhores coisas que posso
oferecer-lhes.
Quero vê-los homens competentes em seus ofícios,
mas, sobretudo,
generosos e agregadores como o tio Roberto.
Aos quarenta,
e tendo se tornado o irmão mais,
(não entendo essa pressa),
você, como poucos, nos ajuda a ser gente.
É muito bom compartilhar a vida com você.
Com admiração,
De seu irmão Gilberto.