sexta-feira, 20 de julho de 2018

Apelidos carinhosos


Apelidos carinhosos

Não sei se todos sabem, mas tenho um apelido exclusivo para o tio Beto. Na verdade, alguns. Menos e mais “escrachados” devido à imensa intimidade. O mais famoso e que, sempre arrancava um sorriso gostoso por trás dos óculos quase meia lua que pousavam nas orelhas à mostra pela ausência de cabelo, era justamente “careca-cabeludo”. Em outros momentos ele atendia por Tony Ramos e se eu o visse perambulando na rua ou na oficina enquanto eu passava de carro, não hesitava em gritar bem alto: - “velho boiola!” Ou “viado careca!”.  
Sem preconceito algum com os homoafetivos, a brincadeira era apenas para provocá-lo mesmo. 

Toda segunda e quarta eu fazia inglês ali no Brasas, pertinho da Sacramento Black. Deixava o carro sempre na rua da vovó Olga e partia para estudar. Mas antes de curso ou passar na vovó Olga, minha parada praticamente obrigatória e semanal era na oficina para ver o careca-cabeludo. 
Sempre receptivo, trocávamos figurinhas sobre a vida e projetos entre um café ou coca-cola sem gás velha que às vezes era substituída por óleo na garrafa pet, tentando me enganar. 
Sempre tinha uma novidade para contar. 
Quando estava atrasada para o curso, passava correndo de carro, mas nunca deixava de buzinar e gritar, o meu apelido carinhoso “velho boiola” ou “viado careca”.  Ele já esperava pela bagunça. 
Toda vez ele subia pra casa e contava pra tia Sônia: “Aquela filha da puta passou aqui de novo e me chamou de Viado-careca” e ria. Era nosso ritual semanal. 

Em uma quarta de prova de inglês, estava com pressa e lá vamos nós para a nossa bagunça: 
Não parei, buzinei umas 4 vezes fazendo zona e gritei “velho viado”. Desci a rua e fui fazer minha prova. 

Na outra semana, já na segunda, assim que eu desci do carro, ele já me recebeu rindo: 
- Ravini, você não vai acreditar. Lembra na quarta passada que você me gritou? Então, subindo a rua, vinha um cara fortão rebolando. Passou na oficina e veio perguntar quem era o viado careca que ele queria conhecer. Quando me viu magrinho, disse que eu não ia dar conta dele não. Mas aí contei a história para ele e ficou tudo certo, volta e meia o vejo por aí, mas não rola, não tenho idade pra isso não. Eu já fumo de perna cruzada, mais um pouco...  Sei não... Prefiro a tia Sônia. - Ele ria e ele mesmo respondia seus próprios pensamentos. 

A gente fez muita festa juntos, esse careca cabeludo é uma figura. Digo é, porque está sempre presente nas lembranças. Te amo, tio!


Ravine, sobrinha

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