Troca troca constante.
Roberto comerciava como um bom campograndense. Nem sempre o dinheiro circulava nas transações. Com frequência usava mercadorias - num autêntico escambo – e prestação de serviços. Nada demais, por exemplo, receber frutas, legumes, animais ou um bem qualquer, pelo ajuste de um motor. O que não podia faltar era a confiança na palavra e laços afetivos. Confiança e afetividade eram as principais moedas.
Isso ele herdou de papai. Para
se ter ideia do que estou falando, basta acompanhar os passos de papai para a
aquisição de uma casa de praia em Mangaratiba. Vovó vendeu uma casa na Vila
Kennedy e adquiriu um terreno na Rua Sacramento Blaque, próximo a nossa casa. O
local era bom, mas a casa e a documentação, precárias. Na ocasião, o filho mais
velho da vovó (tio Antônio), recentemente aposentado, foi morar em Cosmos. Por
coincidência, ao lado da sua nova moradia, foi posta à venda uma boa casa com
preço baixo. Era a oportunidade da vovó ter uma residência digna e aproxima
ao filho. Papai resolveu o problema comprando a casa para a vovó em troca do
terreno em Campo Grande que, imediatamente, foi trocado, em sociedade, pela
casa de Mangaratiba.
Era assim que funcionava.
Várias vezes Roberto vendeu a moto para um amigo que repassou para outro, e,
depois de várias intermediações, ela voltou para o Roberto.
Havia também as trocas casuais
e espontâneas. No meio de uma conversa sobre pesca, um arpão podia ser trocado
por um par de pés de pato. Ele fazia isso com a simplicidade de quem toma uma
Coca Cola. Eu disse Coca e não cerveja, como reza a tradição. Bebesse cerveja
quem quisesse, porque ele brindaria a
troca com um gole de Coca Cola. Nessas ocasiões virava criança em dia de Natal.
Exibia orgulhoso o novo bem. Anunciava feliz, seja lá o que fosse, um periquito
ou uma moto. Desejava a aprovação da família e dos amigos
Gilberto, irmão
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