quinta-feira, 5 de julho de 2018

Troca troca constante


Troca troca constante.


Roberto comerciava como um bom campograndense.  Nem sempre o dinheiro circulava nas transações. Com frequência usava mercadorias - num autêntico escambo – e prestação de serviços. Nada demais, por exemplo, receber frutas, legumes, animais ou um bem qualquer, pelo ajuste de um motor. O que não podia faltar era a confiança na palavra e laços afetivos. Confiança e afetividade  eram as principais moedas.
Isso ele herdou de papai. Para se ter ideia do que estou falando, basta acompanhar os passos de papai para a aquisição de uma casa de praia em Mangaratiba. Vovó vendeu uma casa na Vila Kennedy e adquiriu um terreno na Rua Sacramento Blaque, próximo a nossa casa. O local era bom, mas a casa e a documentação, precárias. Na ocasião, o filho mais velho da vovó (tio Antônio), recentemente aposentado, foi morar em Cosmos. Por coincidência, ao lado da sua nova moradia, foi posta à venda uma boa casa com preço baixo. Era a oportunidade da vovó ter uma residência digna e aproxima ao filho. Papai resolveu o problema comprando a casa para a vovó em troca do terreno em Campo Grande que, imediatamente, foi trocado, em sociedade, pela casa de Mangaratiba.
Era assim que funcionava. Várias vezes Roberto vendeu a moto para um amigo que repassou para outro, e, depois de várias intermediações, ela voltou para o Roberto.
Havia também as trocas casuais e espontâneas. No meio de uma conversa sobre pesca, um arpão podia ser trocado por um par de pés de pato. Ele fazia isso com a simplicidade de quem toma uma Coca Cola. Eu disse Coca e não cerveja, como reza a tradição. Bebesse cerveja quem quisesse,  porque ele brindaria a troca com um gole de Coca Cola. Nessas ocasiões virava criança em dia de Natal. Exibia orgulhoso o novo bem. Anunciava feliz, seja lá o que fosse, um periquito ou uma moto. Desejava a aprovação da família e dos  amigos

Gilberto, irmão

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