quarta-feira, 4 de abril de 2018

Cavalos de pau


                Os cavalos de pau do Roberto, certamente merecem um capítulo à parte.
                Os mais impressionantes para mim eram os que dava numa estrada estreita do Rio da Prata. Ele, com precisão, dava um 180º, sem sair da estrada. Num relance já estávamos em sentido contrário. Eu fazia, precisava da largura de um campo de futebol.
                Ele pacientemente me explicava que não bastava virar o volante e puxar o freio de mão. O segredo estava em acelerar na hora certa. Tudo bem! O que ele não dizia, e talvez não soubesse, é que precisava ousadia, intuição e certa irresponsabilidade.  Isso não se encontra em livros. Claro que não conseguiria nunca porque imaginava as consequências de uma manobra mal feita.
                Um dia consegui. A coragem veio das três meninas no banco traseiro, e a precisão da manobra, das orientações do Roberto, como copiloto.
Deu tudo certo. Foi incrível! Sucesso atestado pelos gritinhos das meninas.
Guinada no volante. Puxada precisa do freio de mão e a tal aceleração que ele indicava falando e pressionando minha perna. O que deu errado, tornou meu feito ainda mais memorável. Acelerei demais e me enrolei com alguma coisa, de modo que dei outro cavalo de pau. Sucesso com as meninas e admiração do Roberto:
- Não disse que era fácil.
Fácil? Meu coração estava aos pulos.
Nunca mais tentei. Preferia ficar na plateia. De preferência com um bom livro.


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