Os
cavalos de pau do Roberto, certamente merecem um capítulo à parte.
Os mais
impressionantes para mim eram os que dava numa estrada estreita do Rio da
Prata. Ele, com precisão, dava um 180º, sem sair da estrada. Num relance já
estávamos em sentido contrário. Eu fazia, precisava da largura de um campo de
futebol.
Ele
pacientemente me explicava que não bastava virar o volante e puxar o freio de
mão. O segredo estava em acelerar na hora certa. Tudo bem! O que ele não dizia,
e talvez não soubesse, é que precisava ousadia, intuição e certa
irresponsabilidade. Isso não se encontra
em livros. Claro que não conseguiria nunca porque imaginava as consequências de
uma manobra mal feita.
Um dia
consegui. A coragem veio das três meninas no banco traseiro, e a precisão da
manobra, das orientações do Roberto, como copiloto.
Deu tudo certo. Foi incrível!
Sucesso atestado pelos gritinhos das meninas.
Guinada no volante. Puxada
precisa do freio de mão e a tal aceleração que ele indicava falando e
pressionando minha perna. O que deu errado, tornou meu feito ainda mais memorável.
Acelerei demais e me enrolei com alguma coisa, de modo que dei outro cavalo de
pau. Sucesso com as meninas e admiração do Roberto:
- Não disse que era fácil.
Fácil? Meu coração estava aos
pulos.
Nunca mais tentei. Preferia ficar na plateia. De preferência com um bom livro.
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