segunda-feira, 30 de abril de 2018

Espingarda de ar comprimido: tiro nos cocos.


 Espingarda de ar comprimido: tiro nos cocos.           

Em nossa pré-adolescência houve a moda das espingardas de ar comprimido. O funcionamento era simples. Bastava destravá-las e forçar o cano para baixo, “quebrando-o“, ou seja, deixando em posição  90 graus em relação ao cabo.  Nesse momento se colocava o chumbinho e se trazia o cano para a posição original. Estava pronta para atirar. Bastava regular a mira. A operação era repetida a cada disparo.
            As mães ficavam apavoradas e tentavam estabelecer limites. O excesso de zelo decorria de vários acidentes ocorridos. Eu e a Dilma – uma senhora que trabalhou conosco – fomos atingidos  na perna, ao entrarmos na linha de tiro do Roberto. Ele montou um alvo no final de um corredor, no meio do qual havia uma porta. Eram chumbinhos especiais, semelhantes a pequenos dardos. O que atingiu a minha perna era azul e a da Dilma laranja. Providenciais aqueles pelinhos. Foi só puxar por eles e colocar merthiolate no buraco. Essa era a pior parte: colocar merthiolate. O troço ardia uma enormidade.
            Em outra ocasião acionei o gatilho com a espingarda ainda “quebrada’, na posição de 90º, fazendo o cano voltar violentamente para a posição original. O tranco foi tão forte que rachou o cabo de madeira da arma.
            Roberto era exímio atirador e treinava em palitos de fósforos. De seus tiros trago uma imagem triste e outra divertida. A triste lembrança é de uma rolinha atingida na cabeça. Caçar passarinhos era uma prática comum entre os meninos de Campo Grande, uma região, na ocasião, ainda considerada rural. Foi o último passarinho que matamos.
            Lembrança divertida é a dos tiros nos cocos do vizinho. Os coqueiros eram situados próximos ao nosso muro e os frutos eram alvos tentadores. Havia ainda um efeito especial porque, quando atingidos, eles jorravam água. O esguicho alcançava o nosso lado. Uma festa! Até que um dia …
O vizinho procurou mamãe mostrando os cocos atingidos. Ele os balançava produzindo o barulho de chocalhos porque parte dos chumbinhos ficaram no interior. Ele pensou ser uma praga que secava os coco. Mas acabou descobrindo que as pragas eram os vizinhos.

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