sexta-feira, 6 de abril de 2018

Animais do Roberto 03: cachorros e tartarugas.


Cachorros e tartarugas

Registrei numa agenda um episódio sobre os bichos de Campo Grande.
                Estacionei o carro e, antes de tocar a campainha, mamãe abriu o portão.
                - Nossa! Rápido. Nem toquei a campainha.
                Ela respondeu:
                - Ouvi os latidos. Sei quando alguém chega pelos cachorros.
                No alto da escada estava um Rush Siberiano de olhos azuis, balançando o rabo, todo receptivo. Próximo a mim, na base da escada, um basset pulava em minhas pernas pedindo carinho. A essa altura Roberto tinha chegado e disse:
                - Faz carinho na barriga, senão ele não para.
                Fiz. Há muito não via aquela raça, que na infância chamávamos de cachorro salsicha. A essa altura apareceu um vira-latas, certamente o mais animado e, por pouco, não me derrubou ao se entrelaçar em minhas pernas, mordendo o cordão do tênis.
                Sobre a mesa da cozinha havia uma caixa de sapatos com uma pequena tartaruga. Roberto a retirou e colocou sobre a mesa. Ela andou em minha direção porque havia migalhas de pão. Mamãe trouxe uma folha de alface e eu fiquei alimentando a bichinha.
                Lembrei do casal de tartarugas que vivia solto no quintal. Roberto explicou que a tartaruguinha era filha de uma delas. O macho tinha morrido há muito tempo quando papai a queimou junto com folhas de árvores. Normalmente ele abria um buraco e as enterrava, mas naquele dia, eram tantas e estavam tão secas que resolveu queimá-las, esquecendo-se de verificar se ali estavam as tartarugas.
A fêmea voltara a procriar recentemente porque Roberto trouxe um macho da casa da Dona Georgina, cujo viveiro foi desativado. Ela tinha o estranho hábito de seguir as pessoas, preferencialmente o Roberto. As vezes parecia agressiva porque esticava o pescoço e abria a boca ao se aproximar. Mas só queria estar próxima.
                Perguntei sobre a convivência das tartarugas com os cachorros. Roberto disse que era normal. Normal até a hora da comida. Se as tartarugas se limitassem às folhas, tudo bem, caso contrário, os cachorros regiam. Usavam uma estratégia simples: viravam as tartarugas com a barriga para cima e comiam sossegados.
Roberto ainda explicou que a confusão maior era na época das mangas porque, segundo ele, cachorros e tartarugas adoravam.
Era só o que faltava: cachorros vegetarianos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário