Roberto teve também um bugre. Foi uma época economicamente difícil para a família, em que papai estava sem carro e precisava se deslocar para o trabalho.
Fazer o que? Entrava no bugre reclamando e dizendo que aquilo não era carro. Roberto, com a paciência peculiar, o levava.
O problema é que havia situações em que, como advogado, papai precisava ir de terno. Terno e bugre não combinam. Esteticamente é obvio, mas a inconveniência não era só essa. Como não havia porta, a entrada exigia uma manobra desconfortável com as pernas . Não deu em outra. Roberto me ligou rindo e dizendo que a calça de papai rasgou. Perguntei: - E aí?
Ele respondeu: - E aí ele ficou danado da vida. Voltou. Trocou a calça e, já atrasado, entrou com mais cuidado no bugre, e resmungando mais do que nunca.
Sobrou para mamãe concertar a calça.
(Gilberto, irmão)
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