domingo, 1 de abril de 2018

Carros do Roberto 04

Roberto teve também um bugre. Foi uma época economicamente difícil para a família, em que papai estava sem carro e precisava se deslocar para o trabalho.
Fazer o que? Entrava no bugre reclamando e dizendo que aquilo não era carro.  Roberto, com a paciência   peculiar, o levava. 
O problema é que havia situações em que,  como advogado,  papai precisava ir de terno. Terno e bugre não combinam.  Esteticamente é obvio, mas a inconveniência não era só essa. Como não havia porta, a entrada exigia uma manobra desconfortável com as pernas . Não deu em outra. Roberto me ligou rindo e dizendo que a calça de papai rasgou. Perguntei: -  E aí? 
Ele respondeu: - E aí ele ficou danado da vida. Voltou. Trocou a calça e, já atrasado, entrou com mais cuidado no bugre, e resmungando mais do que nunca.
Sobrou para mamãe concertar a calça.

(Gilberto, irmão)

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