Bem lembrado, Renan
O papagaio
estava lá em casa desde 1966, quando voltamos de uma viagem de carro ao
nordeste (depois comento o fato com mais detalhes) e comandava tranquilo o
zoológico. Era o cara e afirmava a presença com prolongados gritos de
Robertiiiiiiiiiinhooo.
Os micos chegaram aos poucos sem,
a bem da verdade, que Roberto tivesse participação direta. Apenas estimulou a permanência
deles.
Tudo começou
numa manhã de domingo com o Caio avisando que um mico estava comendo as bananas
da tartaruga. Melhor dizendo, comendo bananas com as tartarugas. Roberto,
imediatamente, distribuiu bananas em lugares estratégicos, atraindo, no
decorrer de poucas semanas, vários miquinhos. O passo seguinte foi se aproximar
com cautela. Para resumir a história, os micos passaram a comer nas mãos de
todos e a frequentar o interior da casa.
Esses
eram os micos, mas estamos nos referindo a um mico em especial que, segundo
Roberto, era aquele primeiro.
Você uma
vez me contou que, certa vez se divertia observando as brincadeiras de Roberto
como o miquinho, quando o papagaio apareceu para tomar satisfações. Aproximou-se
agressivo, eriçando as penas e falando coisas incompreensíveis. Boa coisa não
devia ser. Cheio de ciúmes, resolveu espantar o concorrente do colo do Roberto.
Deve ter pensado: “Qualé, chegou agora e já quer sentar na janela”. O mico, já
se sentindo também senhor do pedaço, não se intimidou, desceu do colo do
Roberto e encarou o papagaio.
A cena seguinte foi no mínimo estranha.
Dá para imaginar uma briga de mico com papagaio? Pois foi o que você presenciou
e me contou. Foi difícil separar os apaixonados desafetos. Acalmado os ânimos,
Roberto trouxe uma banana, fez os dois ficarem juntos e deu uma carinhosa
bronca. A partir daí as brigas diminuíram. Não se transformaram em bons amigos,
até porque o papagaio era temperamental e narcisista. Apenas fizeram um acordo
de cavaleiros no qual ficou estabelecida uma distância regulamentar, o que não
evitava leves escaramuças. Se o jeito conciliador do Roberto não funcionava,
mamãe aparecia e dava uma espanada geral.
(Gilberto, irmão)
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