domingo, 8 de abril de 2018

Animais do Roberto 08: mico x papagaio


Bem lembrado, Renan

                O papagaio estava lá em casa desde 1966, quando voltamos de uma viagem de carro ao nordeste (depois comento o fato com mais detalhes) e comandava tranquilo o zoológico. Era o cara e afirmava a presença com prolongados gritos de Robertiiiiiiiiiinhooo.
Os micos chegaram aos poucos sem, a bem da verdade, que Roberto tivesse participação direta. Apenas estimulou a permanência deles.
                Tudo começou numa manhã de domingo com o Caio avisando que um mico estava comendo as bananas da tartaruga. Melhor dizendo, comendo bananas com as tartarugas. Roberto, imediatamente, distribuiu bananas em lugares estratégicos, atraindo, no decorrer de poucas semanas, vários miquinhos. O passo seguinte foi se aproximar com cautela. Para resumir a história, os micos passaram a comer nas mãos de todos e a frequentar o interior da casa.
                Esses eram os micos, mas estamos nos referindo a um mico em especial que, segundo Roberto, era aquele primeiro.
                Você uma vez me contou que, certa vez se divertia observando as brincadeiras de Roberto como o miquinho, quando o papagaio apareceu para tomar satisfações. Aproximou-se agressivo, eriçando as penas e falando coisas incompreensíveis. Boa coisa não devia ser. Cheio de ciúmes, resolveu espantar o concorrente do colo do Roberto. Deve ter pensado: “Qualé, chegou agora e já quer sentar na janela”. O mico, já se sentindo também senhor do pedaço, não se intimidou, desceu do colo do Roberto e encarou o papagaio.
A cena seguinte foi no mínimo estranha. Dá para imaginar uma briga de mico com papagaio? Pois foi o que você presenciou e me contou. Foi difícil separar os apaixonados desafetos. Acalmado os ânimos, Roberto trouxe uma banana, fez os dois ficarem juntos e deu uma carinhosa bronca. A partir daí as brigas diminuíram. Não se transformaram em bons amigos, até porque o papagaio era temperamental e narcisista. Apenas fizeram um acordo de cavaleiros no qual ficou estabelecida uma distância regulamentar, o que não evitava leves escaramuças. Se o jeito conciliador do Roberto não funcionava, mamãe aparecia e dava uma espanada geral.

(Gilberto, irmão)

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