domingo, 1 de abril de 2018

Acidente de carro 1


Roberto sofreu dois acidentes de carro na adolescência.

                No primeiro deles, aos 17 anos (1972), capotou na Rio Santos, próximo à Grota Funda, em direção ao Recreio dos Bandeirantes.
                Fomos acordados de madrugada pelo vizinho Laerte Mota. Ele nos tranquilizou, dizendo que Roberto tinha sofrido um acidente de carro, mas estava bem. Se encontrava na casa da namorada, a Alcina (parente do Laerte), onde se refugiou para evitar a bronca imediata. Motivos não faltavam. Estava todo errado: menor, sem carteira e com o carro “roubado”; pego sem permissão do papai. Nem eu sabia. Fez como em outras vezes. Abriu a garagem e, com o motor desligado, empurrou o carro até uma distância segura. Ligou o motor e partiu. Um crime perfeito que foi (literalmente) por água à baixo.
A intervenção do Laerte foi providencial. Nos acompanhou de carro até o local do acidente e, calmo e bem articulado, providenciou o reboque e tomou outras providências. Difícil foi encontrar o local do acidente porque chovia muito e o trecho não  tinha iluminação pública. As indicações de Roberto e do Fernandão, o colega que o acompanhava, eram imprecisas.  Finalmente localizamos o carro no meio de um matagal, numa ribanceira, dois metros abaixo do nível da estrada. O carro – certamente em velocidade excessiva - se desgovernou num bolsão d’ água. Deslizou pelo acostamento e caiu na ribanceira. Por sorte estavam com cinto de segurança e o impacto foi amortecido pelo mato e pela água.
Papai, que por muito menos dava broncas monumentais, nessas horas surpreendia pela calma e ponderação. Tinha a percepção correta de que o fato em si já trazia ensinamentos, e preferia o diálogo.

(Gilberto, irmão)

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