Roberto sofreu dois acidentes de
carro na adolescência.
No
primeiro deles, aos 17 anos (1972), capotou na Rio Santos, próximo à Grota
Funda, em direção ao Recreio dos Bandeirantes.
Fomos
acordados de madrugada pelo vizinho Laerte Mota. Ele nos tranquilizou, dizendo
que Roberto tinha sofrido um acidente de carro, mas estava bem. Se encontrava na
casa da namorada, a Alcina (parente do Laerte), onde se refugiou para evitar a
bronca imediata. Motivos não faltavam. Estava todo errado: menor, sem carteira
e com o carro “roubado”; pego sem permissão do papai. Nem eu sabia. Fez como em outras
vezes. Abriu a garagem e, com o motor desligado, empurrou o carro até uma
distância segura. Ligou o motor e partiu. Um crime perfeito que foi
(literalmente) por água à baixo.
A intervenção do Laerte foi
providencial. Nos acompanhou de carro até o local do acidente e, calmo e bem
articulado, providenciou o reboque e tomou outras providências. Difícil foi
encontrar o local do acidente porque chovia muito e o trecho não tinha iluminação pública. As indicações de
Roberto e do Fernandão, o colega que o acompanhava, eram imprecisas. Finalmente localizamos o carro no meio de um
matagal, numa ribanceira, dois metros abaixo do nível da estrada. O carro –
certamente em velocidade excessiva - se desgovernou num bolsão d’ água.
Deslizou pelo acostamento e caiu na ribanceira. Por sorte estavam com cinto de
segurança e o impacto foi amortecido pelo mato e pela água.
Papai, que por muito menos dava
broncas monumentais, nessas horas surpreendia pela calma e ponderação. Tinha a
percepção correta de que o fato em si já trazia ensinamentos, e preferia o
diálogo.
(Gilberto, irmão)
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