Não exagere, Caio.
Preciso
defender meu irmão. Não eram tantos animais assim. Ele nunca colocou um canguru ou um elefante, lá em casa.
Um
cavalo, sim. E convenhamos que, um cavalo no quintal de uma casa, fica maior do
que um elefante. Levei um susto. Papai estava sentado tomando a tradicional
cervejinha. Perguntei o que era aquilo. Ele coçou a cabeça. Depois entendi ser
um gesto de cumplicidade. Encontrei com Roberto que falou feliz:
- É um
presente para Carolina.
Podia
ser pior. Um leão, por exemplo.
Roberto tinha um amigo cujo
adorável leãozinho fazia sucesso. Até que um dia fugiu e entrou na casa do
Padilha, no início da Sacramento Blaque. Foi uma confusão danada! Antônio, o
Padilhão, - cuja história é cheia de episódios bizarros – se indignou e fez
discurso em defesa dos cachorros. Eu nem sabia que ele gostava tanto do “Sheik”.
Roberto intermediou o conflito explicando que era um filhote, em fase de crescimento.
Piorou. A tensão aumentou. O Padilha só se
acalmou com o compromisso do leão ser levado para um lugar adequado, mas, prudentemente,
reforçou o controle sobre o portão.
Galinhas antecederam patos,
marrecos, patos d’água e um ganso. Esse último durou pouco. Na primeira corrida
que deu em mamãe, foi expulso à vassouradas. Papai estimulou contribuindo um
laguinho bem irrigado, onde as aves visitantes conviviam com as da casa, junto com
as tartarugas.
A tentativa de manter caranguejos
lago, não deu certo. Eles foram transferidos para o antigo cubículo dos porcos.
Nunca acertamos na alimentação dos bichinhos. Para compensar, eu e Roberto,
jogávamos água o tempo todo. Eles duravam pouco. Logo o azulado do casco se
transformava em marrom. Alguns entravam no ralo sendo difícil da resgatá-los.
Roberto, especialista em pegar caranguejos no mangue, se dava mal, porque, na
manilha, a perigosa pata, ficava livre. Uma estratégia suicida usada por ele,
era se deixar morder e puxar o bicho preso ao dedo.
Ele dizia.
- Não doi não.
- Tudo bem, mas continue usando o
seu dedo.
Ele ria.
Teve a fase dos peixes. Ele construía
os aquários, comprando as placas de vidro e usando silicone. Vazavam com frequência e, certa vez, o maior
deles, explodiu, espalhado os peixes. Sendo aquário do Roberto, tinha escafandrista
com vestimenta rosa, soltando bolhinhas, iluminação lilás, areia colorida,
carrinhos, grutas e plantas exóticas. Uma superlotação. Conviviam peixes de
vala com aquisições caras. Certa vez trouxe um peixe assassino, assim
classificado por ele. Ficou separado, por precaução. Até que um dia, Roberto
resolveu colocá-lo junto aos demais. Sem problemas. Conviveu em harmonia. Queda
de um mito ou mais um efeito do jeito robertiniano de ser?
Nenhum comentário:
Postar um comentário