sábado, 7 de abril de 2018

Animais do Roberto 06: cavalos, peixes, marrecos ...


Não exagere, Caio.
                Preciso defender meu irmão. Não eram tantos animais assim. Ele nunca colocou um canguru ou um elefante, lá em casa.
                Um cavalo, sim. E convenhamos que, um cavalo no quintal de uma casa, fica maior do que um elefante. Levei um susto. Papai estava sentado tomando a tradicional cervejinha. Perguntei o que era aquilo. Ele coçou a cabeça. Depois entendi ser um gesto de cumplicidade. Encontrei com Roberto que falou feliz:
                - É um presente para Carolina.
                Podia ser pior. Um leão, por exemplo.
Roberto tinha um amigo cujo adorável leãozinho fazia sucesso. Até que um dia fugiu e entrou na casa do Padilha, no início da Sacramento Blaque. Foi uma confusão danada! Antônio, o Padilhão, - cuja história é cheia de episódios bizarros – se indignou e fez discurso em defesa dos cachorros. Eu nem sabia que ele gostava tanto do “Sheik”. Roberto intermediou o conflito explicando que era um filhote, em fase de crescimento. Piorou. A tensão aumentou. O  Padilha só se acalmou com o compromisso do leão ser levado para um lugar adequado, mas, prudentemente, reforçou o controle sobre o portão.
Galinhas antecederam patos, marrecos, patos d’água e um ganso. Esse último durou pouco. Na primeira corrida que deu em mamãe, foi expulso à vassouradas. Papai estimulou contribuindo um laguinho bem irrigado, onde as aves visitantes conviviam com as da casa, junto com as tartarugas.
A tentativa de manter caranguejos lago, não deu certo. Eles foram transferidos para o antigo cubículo dos porcos. Nunca acertamos na alimentação dos bichinhos. Para compensar, eu e Roberto, jogávamos água o tempo todo. Eles duravam pouco. Logo o azulado do casco se transformava em marrom. Alguns entravam no ralo sendo difícil da resgatá-los. Roberto, especialista em pegar caranguejos no mangue, se dava mal, porque, na manilha, a perigosa pata, ficava livre. Uma estratégia suicida usada por ele, era se deixar morder e puxar o bicho preso ao dedo.
Ele dizia.
- Não doi não.
- Tudo bem, mas continue usando o seu dedo.
Ele ria.
Teve a fase dos peixes. Ele construía os aquários, comprando as placas de vidro e usando silicone.  Vazavam com frequência e, certa vez, o maior deles, explodiu, espalhado os peixes. Sendo aquário do Roberto, tinha escafandrista com vestimenta rosa, soltando bolhinhas, iluminação lilás, areia colorida, carrinhos, grutas e plantas exóticas. Uma superlotação. Conviviam peixes de vala com aquisições caras. Certa vez trouxe um peixe assassino, assim classificado por ele. Ficou separado, por precaução. Até que um dia, Roberto resolveu colocá-lo junto aos demais. Sem problemas. Conviveu em harmonia. Queda de um mito ou mais um efeito do jeito robertiniano de ser?

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