segunda-feira, 11 de junho de 2018

Guloseimas 02


Nos aniversários jamais esperava o “parabéns”  para iniciar o "vandalismo gastronômico". Atacava as mesas de doces com cara de pau ou sutilizas,   mudando a estratégia conforme a ocasião.
Certa vez fomos a festa de uma família com a qual tínhamos pouca intimidade. O Roberto não recuou, apenas sofisticou as artimanhas: se aproveitou de briga de criancinhas, formou grupinho de conversa a beira da mesa e assim por diante. A ousadia foi tanta que precisei intervir:
- Roberto, os pratos de doces estão ficando cheios de espaços vazios. Vão perceber.
Ele não se abalou, apenas disse “É mesmo!”. Voltou a mesa, deu um esbarrão nos pratos e os doces se ajeitaram, cobrindo os vazios. Pegou mais um e voltou. Antes que eu reclamasse, disse:
- Pronto, resolvi o problema! Esse é para mamãe.
Foi até onde ela estava sentada e entregou o doce. Pensa que ela reclamou? Pelo contrário, aceitou imediatamente, na maior cara de pau. Era difícil conte-lo com uma mãe tão voraz. A coisa beirava a formação de quadrilha.
O problema se agravou com o nascimento dos filhos e sobrinhos que eram estimulados por ele a pegar docinhos e, naturalmente, deixar sua cota. Vez por outra se ouvia ele falar:
- Vai lá, enfia o dedo!
As criancinhas - acima de qualquer suspeita -  realizavam seu desejo de furar os bolos. Incontrolável!

Gilberto, irmão


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