Nos aniversários jamais esperava o “parabéns” para iniciar o
"vandalismo gastronômico". Atacava as mesas de doces com cara de pau
ou sutilizas, mudando a estratégia conforme a ocasião.
Certa vez fomos a festa de uma família com a qual tínhamos pouca
intimidade. O Roberto não recuou, apenas sofisticou as artimanhas: se
aproveitou de briga de criancinhas, formou grupinho de conversa a beira da mesa
e assim por diante. A ousadia foi tanta que precisei intervir:
- Roberto, os pratos de doces estão ficando cheios de espaços vazios.
Vão perceber.
Ele não se abalou, apenas disse “É mesmo!”. Voltou a mesa, deu um
esbarrão nos pratos e os doces se ajeitaram, cobrindo os vazios. Pegou mais um
e voltou. Antes que eu reclamasse, disse:
- Pronto, resolvi o problema! Esse é para mamãe.
Foi até onde ela estava sentada e entregou o doce. Pensa que ela
reclamou? Pelo contrário, aceitou imediatamente, na maior cara de pau. Era
difícil conte-lo com uma mãe tão voraz. A coisa beirava a formação de
quadrilha.
O problema se agravou com o nascimento dos filhos e sobrinhos que eram
estimulados por ele a pegar docinhos e, naturalmente, deixar sua cota. Vez por
outra se ouvia ele falar:
As criancinhas - acima de qualquer suspeita - realizavam seu
desejo de furar os bolos. Incontrolável!
Gilberto, irmão
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