Ravine: evangélicos e papagaio desbocado
Certa vez, há uns 10 anos acredito, estávamos em uma conversa sobre
cachorros e raças (gostávamos muito de trocar figurinhas sobre os bichos) e o
papo foi se alongando entre um doce da vovó Arminda e um café, numa tarde
dessas de verão. Tia Sônia no banho, vovó em algum canto da casa.
A campainha tocou e era uma visita pro tio Beto, mas não era uma visita
conhecida, eram pessoas de alguma Igreja querendo convencê-lo a seguir alguma
religião dessas fervorosas. Tio Beto não hesitou e convidou educadamente para
entrar e ficamos ali fora, próximo ao jardim.
Depois de ser ungido, benzido e tudo o que podiam fazer para “levá-lo”
para a tal religião, tio Beto tentava educadamente desconversar e explicar que
ele não se interessava. Foi quando o louro (papagaio) que estava próximo à nós,
soltou: “caralho” seguido, por “Porra, Sônia”. As mulheres cobertas de
roupa até o pé e só com o rosto e as mãos de fora, tamparam a boca e fizeram
uma cara de espanto, como se tivessem visto o próprio Demo ali em forma de papagaio.
Tio Roberto segurou muito a risada, mas muito mesmo. E eu idem.
- Me perdoem, meu papagaio precisa ser ungido também. Ele sofre com o
obsessor. - falou.
As mulheres saíram fora imediatamente, quase que correndo da casa. Eu e
tio Roberto chorávamos de rir.
- Ravini, eu juro, esse papagaio não fala nada quase. Ele nunca falou
isso, não sei nem como aprendeu! - E ria.
Ravine Padilha, sobrinha.
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