segunda-feira, 11 de junho de 2018

Evangélicos e papagaio desbocado

Ravine: evangélicos e papagaio desbocado

❤Sempre tive um grande carinho e amor pelo tio Beto. São intensos momentos na memória e com eles, naturalmente um sorriso para acompanhar as lembranças de um tio tão maravilhoso e engraçado. 
Certa vez, há uns 10 anos acredito, estávamos em uma conversa sobre cachorros e raças (gostávamos muito de trocar figurinhas sobre os bichos) e o papo foi se alongando entre um doce da vovó Arminda e um café, numa tarde dessas de verão. Tia Sônia no banho, vovó em algum canto da casa. 
A campainha tocou e era uma visita pro tio Beto, mas não era uma visita conhecida, eram pessoas de alguma Igreja querendo convencê-lo a seguir alguma religião dessas fervorosas. Tio Beto não hesitou e convidou educadamente para entrar e ficamos ali fora, próximo ao jardim. 
Depois de ser ungido, benzido e tudo o que podiam fazer para “levá-lo” para a tal religião, tio Beto tentava educadamente desconversar e explicar que ele não se interessava. Foi quando o louro (papagaio) que estava próximo à nós, soltou:  “caralho” seguido, por “Porra, Sônia”. As mulheres cobertas de roupa até o pé e só com o rosto e as mãos de fora, tamparam a boca e fizeram uma cara de espanto, como se tivessem visto o próprio Demo ali em forma de papagaio. 
Tio Roberto segurou muito a risada, mas muito mesmo. E eu idem. 
- Me perdoem, meu papagaio precisa ser ungido também. Ele sofre com o obsessor. - falou. 

As mulheres saíram fora imediatamente, quase que correndo da casa. Eu e tio Roberto chorávamos de rir. 
- Ravini, eu juro, esse papagaio não fala nada quase. Ele nunca falou isso, não sei nem como aprendeu! - E ria. 

❤Enquanto a gente ria, o papagaio também começou a rir. Uma risada igualmente gostosa e copiada do Beto. E nós riamos mais ainda, rolávamos de um lado para o outro, porque ficou parecendo que o papagaio sabia a merda que tinha falado. 
Passamos uns 20 min, sem exagero, com crise de riso, sem conseguir parar.

Ravine Padilha, sobrinha.

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