quarta-feira, 30 de maio de 2018

Travessuras da infância: poção mágica

            Poção Mágica com pasta de dente

Papai saiu do banheiro esbravejando com uma pasta de dente amassada na mão:
            - Minda! A pasta de dente está estragada. Veja! Completamente aguada.
            Jogou o tubo no lixo da cozinha e saiu danado da vida.
Mamãe, de relance, nos viu, quietinhos e com os olhos arregalados. Percebeu logo  que a culpa não era da Colgate, a marca de pasta de dente preferida do papai. Esperou ele sair e perguntou:
            - Quem colocou água na pasta de dente?
            Sem esperar resposta, disse:
            - Não façam mais isso.
            Era o primeiro e último aviso, sabíamos disso. Corríamos perigo, pois a pasta aguada era só uma parte dos componentes de uma poção mágica idealizada por nossa imaginação infantil.  
            Poção mágica? Isso, estávamos impressionados com um filme no qual um bruxo, entre risadas espalhafatosas e gestos histriônicos, compôs uma fórmula poderosa, capaz de tornar invisível quem inalasse seu vapor. Com poucos componentes, fez a água borbulhar e soltar uma fumaça esverdeada.
Resolvemos produzir a nossa própria fórmula, envolvendo materiais de limpeza e cosméticos. Aí é que entrou a pasta de dente. Roberto se lembrou da sua cor verde que, segundo o fabricante, indicava a presença de clorofila, eficaz no combate à carie. O problema é que usamos o tubo quase todo. O que fazer? Inocência infantil! Preencher com água. É obvio!
Deu certo? A poção ganho a tonalidade desejada? Não. Tivemos que apelar para um corante. Sacrificamos  uma pipa novinha, arrancando o papel de seda verde que, posto na água, a coloriu rapidinho.
            A coloração, o cheiro e a consistência se alteravam, mas nada de produzir a desejada fumaça esverdeada. Mamãe, estranhando o silêncio, já tinha nos chamado algumas vezes. Numa delas gritou junto:
- Que cheiro é esse?
Estava ficando perigoso. Fomos salvos por um gesto estabanado que entornou o líquido.
Não alcançamos a invisibilidade desejada, mas escapamos ilesos da varinha (chinelo) mágica de mamãe.

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