Roberto não gostava de sentir
frio. Bastava baixar alguns graus para se encolher, curvar ainda mais os ombros
e exagerar nos agasalhos. Preferia os que tinham bolsos, para manter as mãos aquecidas.
Na adolescência fez um poncho
que o acompanhou por vários invernos. Simplesmente cortou um cobertor em
formato quadrado e, com a ajuda de mamãe, fez a abertura no centro e os
acabamentos.
Defendia a
ideia dizendo:
- No
inverno, o ideal é não sair debaixo do cobertor. E ria.
A noite
completava a vestimenta com um estranho chapéu de feltro; uma mistura de bruxo,
hippie e Indiana Jones.
Certa
noite de inverno foi comprar algo no armazém e voltou com os joelhos e o nariz arranhados.
- O que foi isso? Perguntei.
- Caí. Vim correndo e caí.
- Machucou as mãos?
- Não. E mostrou as mãos sem
nenhum arranhão.
- Como você conseguiu arranhar os
joelhos e o nariz sem machucar as mãos?
- Estava com as mãos nos bolsos.
- Por que não tirou as mãos dos
bolsos para correr? Não sabe que é perigoso?
- Tá maluco! Com um frio desses?
Estava convicto que fez um bom
negócio ao trocar o nariz ralado pelas mãos quentinhas.
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